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The Player's corner : "não era goleira até aquele dia"

Raíssa Tayná, 27, é jogadora de futebol profissional e atua como goleira pela equipe do Hapoel Beer Sheva (Israel). Enquanto prossegue com sua carreira fora do país, ela acompanha as partidas do Brasil pelo mycujoo. Confira, nas palavras dela própria, uma história curiosa sobre o seu início no esporte!

Raíssa Thayná with her club of Atletico Mineiro in Brazil

"Olá, amigos.

Meu nome é Raíssa Tayná, tenho 27 anos e sou goleira profissional. Vou contar uma história muito engraçada que aconteceu na minha vida. Quando penso no início da minha carreira, não tem como não lembrar disso.

Eu nasci em Minas Gerais e depois me mudei para o Espírito Santo. Quando tinha 20 anos, estava de férias do meu serviço e fui para minha terra natal visitar parentes. A passeio, fui à sede do Atlético Mineiro, time pelo qual sou apaixonada desde criança. Estava olhando para os troféus e tudo mais, conversando com minha prima, que me acompanhava neste dia.

Papo vai, papo vem, ela comentou com o pessoal da sede que eu jogava futebol, e um dos funcionários disse que haveria um teste justamente naquela época. Na hora, isso me despertou curiosidade e até um pouquinho de medo. Peguei o contato, marquei um teste e fui com a cara e a coragem.

Até aquele dia, eu era zagueira. Chegando lá, encontrei um monte de atletas. O problema é que todas eram jogadoras de linha... fui olhando aquelas meninas e pensei que a concorrência seria difícil. Quando perguntaram minha idade e minha posição, já mandei, na lata: "Goleira!". Na hora, todos olharam com curiosidade.

Fiz o teste. Confesso, não sabia fazer nada direito - principalmente na hora de cair para fazer as defesas. Eles perguntaram se eu morava em Minas, e então disse que só estava de férias. Repeti mais testes por uma semana no Galo. Depois, veio um treinador da posição chamado Caetano, que treinava as meninas da escolinha. Mas o treinador do time principal, que estava observando os treinos, disse que eu não era uma boa goleira. Até que um dia ele chegou no Caetano e disse: 'Essa goleira não dá! Ela não sabe fazer nada, nada, nada...'.

Caetano veio conversar comigo e eu pedi, pelo amor de Deus, para que ele tivesse paciência, porque eu ia treinar muito. Prometi que daria o máximo para ser uma ótima goleira. Treinava de segunda a sábado, em dois períodos. O treinador até gravava vídeos das atividades para identificarmos o que precisava melhorar. Tudo o que eu queria era essa chance - e ele foi persistente comigo. Hoje, agradeço demais a ele.

Foi só o começo. Depois disso, joguei no time principal do Atlético e fui campeã mineira em 2011. Atuei por Capital-DF, SERC-MS, Rio Preto-SP e Neves-MG. Fui considerada a melhor goleira do Campeonato Paulista de 2016, e entre os títulos coletivos, fui campeã brasileira e de vários estaduais. Depois, fui indicada pela minha amiga e ex-colega de time Ana Alice para o Kiryat Gat, de Israel, e agora estou no Hapoel Beer Sheva. E consigo ver à distância vários jogos de futebol feminino com o mycujoo.
E pensar que eu não era goleira até aquele dia..."