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Paulinho Guará, herói (do) Democrata

Enfrentando “situação precária” nos bastidores, o time de Sete Lagoas ao menos assegurou sua permanência no Módulo II do Mineiro com vitória sobre o Ipatinga pela nona rodada. Seu treinador saiu do banco para, como centroavante, ser decisivo no triunfo. Mas essa está longe de ser sua maior contribuição ao clube.

Paulinho Guará, coach of Sete Lagoas, came back on the pitch to save his team

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

O jogo na Arena do Jacaré contra o Ipatinga estava complicado, empatado em 0 a 0, pela nona rodada do Módulo II do Campeonato Mineiro. O treinador Paulo Roberto Chamon de Castilho, mais conhecido como Paulinho Guará, decidiu, então, que era hora de fazer uma alteração em seu Democrata de Sete Lagoas, mas sem chamar ninguém no banco de reserva. Resolveu ele mesmo vestir a camisa 19 e ir a campo, atendendo inclusive a pedidos da torcida.

Isso foi aos 21 minutos da segunda etapa. Pois não é que, apenas quatro minutos depois, o agora centroavante deu a assistência para o gol do meio-campista Rafael Rodrigues, definindo a vitória por 1 a 0? Isso depois de ter acertado a trave duas vezes em lances anteriores, em participação para lá de efetiva. Para não dizer incrível.

Um triunfo que rendeu baita alívio ao treinador-jogador, a seus comandados/companheiros e ao público presente. A parte mais urgente do drama vivido pelo clube estava resolvida: a permanência nessa divisão, a despeito da "situação precária" que enfrenta, nas palavras do próprio Paulinho, em entrevista ao Hoje em Dia.

"É uma situação inusitada, que eu não planejava jogar, mas, pela necessidade e por não ter mais opções de banco, fui feliz e pude ajudar a equipe dentro de campo", disse ao veículo local.

"Temos só 16 jogadores e o grupo é bem reduzido. Contra o Ipatinga, a torcida começou a gritar meu nome. Como já estava preparado, fui. No lance do gol, escorei a bola para o meu meio-de-campo, que marcou."

A história sai de "inusitada" para especial quando se toma nota da relação de Paulinho Guará com o Democrata de Sete Lagoas, na região metropolitana de Belo Horizonte, pelo qual começou a jogar como adolescente até se mudar para a base do Atlético Mineiro – o princípio de uma carreira que teve escalas também em Portugal, Suécia e Coreia do Sul.

É uma história que envolve seu pai, também conhecido como Guará, campeão brasileiro pelo Galo em 1971. O pai também foi jogador e treinador democratense (termo que o clube gosta de usar).

Por isso deve ser bem incômodo ver o clube passando por maus bocados no momento. "Alem de treinador e jogador, também sou supervisor, psicólogo... As coisas estão cada dia mais difíceis por aqui. Não sabe se tem dinheiro para viajar. O mesmo acontece em relação às taxas para a federação. Espero que voltem a nos apoiar e que a torcida se mobilize cada dia mais para nos salvar", disse.

Nem tão parado assim

Oficialmente, o centroavante já havia pendurado as chuteiras há dois anos. Mas não é que estivesse parado há tempos. No começo do ano, mesmo, foi campeão de torneios de várzea e máster – neste caso vestindo a camisa do Atlético Mineiro. Nada mal, hein?

Paralelamente, Paulinho estava entre os treinadores das categorias de base do Boa Vista, também de Sete Lagoas. Acontece que aí veio o chamado com certa urgência do Democrata. Quase um pedido de socorro. "A diretoria me convidou para jogar, até pela circunstância precária que atravessa", disse. "Resolvi ajudar."

Inicialmente, o atacante aparecia como figura complementar de elenco. Fez sua estreia na temporada no dia 23 de fevereiro em empate por 1 a 1 com o Athletic, tendo entrado a 18 minutos do fim. O treinador, então, era Thiago Henrique Felix, que seria demitido e substituído três dias depois por Milagres, ex-goleiro do América-MG.

Paulinho Guará, coach of Sete Lagoas in Mineiro Championship II, decided to come back on the pitch for a crucial game

"Mas ele teve uns problemas pessoais e foi embora. Aí os jogadores me pediram para assumir a vaga", disse Paulinho, agora novamente técnico. "No ano passado, conseguimos livrar o time do rebaixamento, mas não chegamos a um acordo para renovar."

Pois se o problema era mais uma vez evitar o descenso, acabou funcionando novamente. Com os três pontos conquistados contra o Ipatinga mais os três garantidos automaticamente na próxima rodada, devido à desistência do Tricordiano, o time já tem permanência no Módulo II garantida.

Agora a questão é tentar resolver seus problemas de caixa e logística. Sabendo que, de um jeito ou de outro, Paulinho Gará estará por perto para contribuir.