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Um minuto de euforia e surpresa

O mycujoo assistiu a um jogo da Copinha ao lado do pai de um dos jogadores do Juventus, Guilherme Bazilio, no alambrado da Javari. Até que uma sequência inesperada de fatos mudou o rumo da partida

Guilherme Basilio during the game Juventus x Avai at the Copinha 2019

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

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Quando Orlando Pereira Bazilio, o Landinho, chegou ao estádio da rua Javari, encontrou arquibancada lotada para uma rodada dupla da Copinha, valendo vaga no mata-mata. Antes de os anfitriões do Juventus enfrentarem o Avaí, jogaram América-RN e Inter de Limeira.
Foi obrigado, então, a se apoiar no alambrado que margeia o gramado. Mal sabia a repercussão que esse posicionamento causaria naquela tarde bem quente de quarta-feira, 9 de janeiro.

Ali bem próximo do campo, sua atenção estava voltada para o compromisso do Juventus, mesmo. Seu filho, Guilherme Bazílio, de 2000, é o segundo volante do time, vestindo a camisa 8, com bom passe e constante movimentação. O clube da Mooca estava praticamente classificado, mas ainda disputava a liderança do Grupo 30.

Escrevendo deste jeito, parecia que era para ser uma jornada relativamente tranquila, quase que para cumprir tabela, certo? Mas estamos falando de futebol, gente. Quando apita o árbitro, não há mais espaço para certezas, ainda mais numa partida sub-20.

O mycujoo acompanhou Juventus x Avaí ao seu lado, também diante do alambrado– área geralmente reservada a torcedores que adoram mandar recados aos árbitros, sem muito carinho.

Não foi o caso de Landinho: primeiro que prefere a arquibancada, segundo que seu temperamento como torcedor é muito mais moderado, educado do que o dos vizinhos de momento. Mesmo sendo o pai de um dos envolvidos na peleja, notemos.

Tudo mudou aos 15 do segundo tempo, porém, quando viu Guilherme receber na entrada da área e bater com categoria, tirando do goleiro Cláudio Vítor, mandando a bola no canto direito: o Juventus virava o placar (2 a 1). Aí foi o momento de explodir, ainda mais quando o garoto correu em sua direção.

Em êxtase, o volante pulou e escalou a grade. Seu pai subiu junto, do outro lado. Foi desses momentos especiais. Mas tinha um detalhe: a regra diz que comemorações desse tipo pedem cartão amarelo, e Guilherme já havia recebido um primeiro cartão por falta dura no primeiro tempo. Demorou um tempo para a arbitragem processar, mas acabou expulso.

"Foi o quarto árbitro (William Rocha Padilha) que avisou o principal", reparou Landinho. "Foi um momento de muita emoção e ele não lembrou que tinha o cartão. Ainda mais com casa cheia, numa virada. É uma pena", disse o pai, um veterano da bola.

Sobre viradas

Landinho um dia também pensou em seguir carreira, como centroavante promissor. Depois de defender clubes da Segunda Divisão de São Paulo e da Primera do Rio Grande do Sul, decidiu parar e seguir uma vida, digamos, de civil – o que não o impede de jogar regularmente Moleque Travesso, clube da Vila Guarani, na Zona Sul paulistana, na várzea. Seu irmão mais jovem, Marcos, seguiu outro caminho, como volante de Santos, Bahia e do próprio Avaí, entre tantos.

A situação piorou para o Juventus aos 37 minutos, quando o camisa 22 Igor também foi expulso. Até o momento o time se segurava. Mas com dois a menos, após jogo extenuante, acabou cedendo nova virada. O centroavante Jô, de 1,89m e porte imponente, fez dois gols no finalzinho. Justamente o jogador que mais despertava preocupação do torcedor, que pedia marcação especial para contê-lo.

Ao final do jogo, Landinho ponderou se a expulsão teria ocorrido se houvesse encontrado lugar na arquibancada. "Se não estivesse ali, talvez ele não fosse ao alambrado. Deu para ver que ele veio me procurando. Era difícil de segurar. Mas talvez agora aprenda essa."

Em tempo: num jogo de base, de um campeonato tão importante e tenso como a Copinha, é de se questionar se uma advertência verbal não seria o suficiente para conter o garoto, em vez da frieza da regra. Cada jogo tem seu contexto. Mas o vermelho estava dado.
E a verdade é que o temperamento do volante é bastante calmo em campo. "Calmo até demais", brincou Landinho.

Guilherme Basilio during the game Juventus x Avai at the Copinha 2019

Guilherme demorou um pouco para sair do vestiário, mesmo tendo saído de campo mais cedo. Quando deixou o gramado, foi aplaudido pela torcida, registre-se. Quando se encontrou com o pai, já estava de cabeça fria, um tanto sem graça, mas tranquilo. "Acabei prejudicando o time", disse. Mas é preciso lembrar que, antes de atrapalhar, ele havia ajudado a equipe com o gol.

Em segundo lugar na chave, o Juventus foi para as oitavas de final contra o Atlético Mineiro, ainda na Javari. Fez um jogo equilibrado, mas tomou dois gols rápidos que lhe custaram a eliminação (2 a 1). Guilherme dessa vez foi obrigado a torcer pelos companheiros fora de campo. Ao menos estava acompanhado pelo pai.

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