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A casa é sua, Ezequiel

Emprestado pelo Botafogo, o baixinho e jovem atacante conquistou rapidamente o torcedor do Sport. Era o suficiente? Nada: seguiu sua curva ascendente para ganhar logo de uma vez o Pernambucano e o prêmio de melhor jogador do campeonato. Será que o clube carioca se arrependeu?

Ezequiel was named best player of Pernambucano 2019

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

O rebaixamento à Série B nacional em 2018 empurrou o Sport a uma reformulação drástica. Primeiro veio uma nova diretoria. Na sequência, nada menos que 17 atletas foram contratados. Sim, fizeram valer a expressão “trocar o time inteiro”.

Num momento de dificuldade, buscar veteranos como o polivalente Luan, ex-Palmeiras e Cruzeiro, que estava no América-MG, ou o croata naturalizado Sammir é o mais natural.

No meio do pacote de reforços, porém, a aposta mais certeira foi talvez uma das mais despretensiosas: o atacante Ezequiel, cedido por empréstimo pelo Botafogo ao lado do meia Leandrinho, que era, por sinal, a prioridade do clube pernambucano.

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Se ele foi o primeiro alvo ou não do Sport, já não importa mais. Em questão de semanas o baixinho passou a ser afagado pela torcida leonina com sua combinação de habilidade, velocidade e disposição em investidas preferencialmente pela ponta direita. Sem contar seu carisma, claro.

Com a conquista do Pernambucano, competição que o mycujoo teve orgulho de transmitir neste ano, de forma emocionante sobre o rival Náutico, Ezequiel passou de xodó a paixão, a julgar pelo termômetro das redes sociais do Sport. Sem contar o fato de ter sido eleito o craque do campeonato.

"É um momento ímpar na minha carreira, meu primeiro título sendo protagonista. Fico grato pelo carinho, pelas mensagens positivas e também pelas negativas, pois fazem uma versão melhor de mim a cada dia", afirmou, celebrando o título. Que fique claro, de todo modo: não é que esteja recebendo a essa altura muitas mensagens negativas assim. Nem mesmo de torcedores do Botafogo.

Rodagem – e mais um pouco

O plano da administração botafoguense era sensato. Conversas com a comissão técnica liderada por Zé Ricardo indicavam que talvez o melhor caminho para a dupla Ezequiel e Leandrinho, entre outras revelações do clube, era uma negociação temporária para que ganhassem rodagem. Em tese, não teriam muito espaço na temporada jogando em casa.

Mesmo que Ezequiel tivesse começado tão bem sua trajetória pelo time profissional ainda sob orientação de Jair Ventura e que também tivesse agradado a Alberto Valentim. Não à toa teve seu contrato renovado até 2022. Mas ao final da temporada passada o cenário já era diferente, sendo preterido nas escalações.

Ezequiel has been a pivotal element for Sport to win the Pernambucano A1

O lucro inesperado foi do Sport, mesmo, com aceitação imediata. "Confesso que não esperava. Achava que levaria um pouco mais de tempo para cair nas graças da torcida", disse o atacante em entrevista ao Jornal do Commercio, falando sobre o reconhecimento manifestado em qualquer andança pelo Recife.

Enquanto o Botafogo, defensor do título carioca, mal conseguiu se classificar para as semifinais, Ezequiel teve contribuição direta em 30% dos gols marcados pelo campeão pernambucano. Foram quatro gols marcados e cinco assistências.

Em uma direção

No futebol brasileiro de 2019, porém, sabemos que a história dificilmente vai ser tão linear assim. Se para Euzébio não sobrava quase nada de crítica, para o Sport como um todo o ano já teve suas reviravoltas. Mesmo que ainda não tenhamos nem nos despedido de abril.

O time, afinal, já tem em Guto Ferreira seu segundo treinador no ano, substituindo Milton Cruz, que pediu demissão depois de apenas sete jogos disputados, em 18 de fevereiro, eliminado precocemente pelo Tombense-MG pela Copa do Brasil e derrotado pelo Santa Cruz em clássico.

Pois com Ferreira o Sport emendou sequência de seis vitórias, até perder o jogo de volta da final do Pernambucano contra o Náutico, por 2 a 1. Remediaram a situação, porém, nos pênaltis, para a conquista de seu 42º título estadual. Cresceu o time, com Ezequiel mantendo sua curva ascendente.

"O professor me procura deixar bem à vontade e, quando o jogador sente essa confiança, se sobressai dentro de campo. A chegada do Guto agregou e fez a gente se firmar como time", disse ao Jornal do Commercio.

Outro tipo de aflição

A decisão contra o Náutico foi um capítulo especial nessa efervescente relação de Ezequiel com a torcida do Sport. Falando assim, pode parecer uma obviedade: oras, estamos falando de uma disputa de taça com um arquirrival! E um garoto de 21 anos em campo.

Mas é que esse rapaz poderia muito bem, quem sabe, ter se escondido em campo. Ou anulado. Nunca se sabe com alguém tão inexperiente. Mas Ezequiel seguiu o ritmo de todo o campeonato. E acabou com o Náutico em pleno estádio dos Aflitos, no jogo de ida. Não só marcou o gol da vitória por 1 a 0, como infernizou a defesa adversária desde o pontapé inicial, criando várias chances no primeiro tempo.

Acontece que, na volta, acabou sentindo uma contusão e teve de acompanhar do vestiário no segundo tempo todo o sofrimento e luta de seus companheiros, ao lado de Guilherme – mais um dos contratados no pacotão de reformulação. Só voltou ao campo para comemorar.

Uma festa e tanto para um jogador que, empolgado com sua ainda curta, mas proveitosa, passagem pelo Sport, se permite pensar longe. "É importante para a minha carreira, não só pensando a curto prazo, mas a longo prazo também. Tenho um sonho de chegar à Seleção. Acho que a melhor forma de concretizar isso é dar um passo de cada vez. Dando meu melhor aqui no Sport, as coisas vão chegar no momento certo", disse.

Que a torcida do campeão pernambucano aproveite o quanto puder. Seu contrato de empréstimo dura até o fim do ano, e seria de se espantar se o Botafogo não o quisesse de volta.

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