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Retomada com brio e brilho (PT)

Depois de nove anos afastada, Portuguesa Santista vive euforia com o acesso à Série A2 do Paulista, virando o assunto boleiro da cidade. Falamos com o técnico Sérgio Guedes e o zagueiro Dema, que agora só querem saber de olhar para cima

Jogadores da Portuguesa Santista comemoram gol

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

O Ulrico Mursa, estádio da Portuguesa Santista, estava borbulhando, com o time preparado para enfrentar o Barretos em 21 de abril, jogo de volta pelas semis do Paulista - Série A3 . Eram 5.723 espectadores presentes, recorde do campeonato, e quantia superior à média de 11 clubes da Série A do Brasileirão no momento.

No final, o empate por 2 a 2 garantiu o acesso do clube à Série A2 Paulista pela primeira vez desde 2009. Durante aqueles 90 minutos, ou bem mais que isso, o assunto futebolístico da cidade era outro que não fosse o conterrâneo Santos, a usina de craques da Vila Belmiro.

“Foi como voltar às origens (como jogador). Antes era assim o tempo todo dentro e fora do estádio, mas obviamente o futebol mudou. Foi uma verdadeira comoção”, disse ao mycujoo o técnico Sérgio Guedes, 55, ex-goleiro que começou sua carreira como treinador justamente pela Briosa, em 2005. “Por alguns dias tivemos mais Ibope que o Santos.”

O treinador fala sobre a “satisfação enorme” de ver um projeto desses prosperar, mesmo que na final a equipe tenha sido superada pelo Atibaia. Essa foi só mais uma etapa na retomada da Briosa, instituição centenária que é uma das fundadoras da FPF (Federação Paulista de Futebol). Depois de passar seis anos seguidos na Segunda Divisão estadual, o clube vai gradativamente recuperando seu espaço.

Guedes fez fama na cidade litorânea na virada dos anos 80 para os 90, defendendo o gigante local. Mas foi pela Portuguesa Santista que pendurou as luvas em 2003. Essa ligação com o clube o fez aceitar aquilo que classifica como um “risco” para sua carreira, ao dirigir um time de Terceira Divisão estadual. Isso depois de ter trabalhado por diversos times da elite do país.

Os resultados mais que justificaram sua decisão. A equipe teve a melhor campanha da primeira fase da A3, com 13 vitórias, cinco empates e uma derrota. Mais que isso, o time prevaleceu com um futebol de posse de bola e criatividade incomuns para uma competição muito acostumada com o choque e a chamada ligação direta entre defesa e ataque.

Sérgio Guedes, coach Portuguesa Santista

“Os amigos diziam que Sergio era doido, que não ia conseguir. Mas ele soube montar o time peça a peça”, diz o zagueiro Dema ao mycujoo. “Ele botou toque de bola, e compramos essa idéia. Era para sair com calma em busca do gol. Fugiu um pouco da realidade do campeonato.”

O defensor está em sua terceira temporada a serviço da Briosa. Em 2016, já havia testemunhado uma primeira promoção com a conquista do título da Segunda Divisão. Houve celebração, então, mas nada que se comparasse ao que viveu neste ano. “A cidade nos abraçou, nunca tinha visto isso. A Portuguesa estava sumida”, afirma Dema. “A gente sempre sente uma ansiedade de querer subir o quanto antes. Agora é lutar para subir mais um degrau.”

Portuguesa Santista winger Dema

O momento em torno do clube é sem dúvida de euforia e, principalmente, de olhar para cima. Ao mesmo tempo, vale também lembrar sempre do sofrido passado recente, para valorizar ainda mais sua guinada. “É o resgate do clube em um patamar maior. Sei que saímos melhores do que quando chegamos. A camisa da Portuguesa está mais pesada. Agora é curtir. Mas fica um legado. O tempo vai colocar os valores e os méritos”, diz Guedes.