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Copinha de criadores, e também de artilheiros

O mycujoo lista alguns dos destaques do torneio vencido pelo São Paulo de Antony. Lucas Santos, do Vasco, foi outro a brilhar. São dois articuladores completos, mas o mercado do futebol brasileiro, carente de gols, talvez prefira avaliar alguns centroavantes promissores

Da Silva, of Gremio Porto Alegre, is one among the Copinha jewels

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

Foram mais de 2.000 jogadores inscritos na Copinha vencida pelo São Paulo. Separar alguns poucos nomes é uma tarefa ingrata, mas ao mesmo tempo irresistível, certo? Esse é um dos grandes atrativos do torneio, afinal: para além de uma disputa invariavelmente emocionante, nós fanáticos pelo futebol adoramos fazer projeções em cima de talentos de diversas origens.

O torcedor pode ficar sonhando com o futuro desses jogadores, imaginando grandes jogadas e conquistas com a camisa do time de cima. Ao mesmo tempo, sabemos bem que a trajetória desses desfalques também pode ser bem curta em seus clubes de origem, considerando a atenção que o torneio recebe de olheiros brasileiros e estrangeiros, algo que já mostraremos na lista abaixo.

Outro ponto importante para se ter em mente na hora de elaborar esse tipo de lista é sua inerente precocidade: para atletas ainda sub-20, há poucas certezas em jogo. Por isso, cautela é um termo obrigatório, num equilíbrio para a euforia que a garotada pode gerar. Podemos curtir o resultado imediato e fazer projeções. Isso é divertido, faz parte. Mas não dá para exagerar.

Feitas todas essas ressalvas, lá vamos:

Antony, camisa 7 do São Paulo

O campeão da Copinha se destacou pelo coletivo, com um time muito entrosado produzindo futebol vistoso. Seguindo aquela máxima que todo treinador gostaria de ver aplicada em suas equipes, esse coletivo valorizou seus talentos. Mas também poderíamos inverter a equação e dizer que, sem talento, talvez o alcance do coletivo fosse limitado.

Então, na hora de apontar valores individuais, o atacante Antony puxa a fila. "Emprestado" pelo elenco profissional para fortalecer o sub-20 – importante lembrar que o São Paulo já havia cedido quatro atletas à Seleção Brasileira –, foi o grande destaque do torneio. Terminou com quatro gols e seis assistências, sendo que todas elas foram para o artilheiro da competição, Gabriel Novaes. O centroavante anotou dez gols em oito partidas. Agora foi emprestado ao time B do Barcelona.

Antony, of Sao Paulo FC, is certainly one of the big prospect from the Copinha 2019

Canhoto, Antony cria problemas para defesas nas duas pontas, com um nível de habilidade que todo olheiro internacional espera encontrar nas divisões de base brasileiras. Tem facilidade para acelerar o jogo, driblar em movimento, mas também pode frear repentinamente e aprontar com a bola. Finaliza bem, mesmo que sem muita força nas pernas. Às vezes falta maturidade na hora de tomar decisões em campo, mas seu talento é inegável.

Seria injusto avançar na lista sem mencionar o volante Rodrigo Nestor, um articulador de rara visão de jogo para a idade, e o zagueiro Morato, cuja combinação de tamanho, tranquilidade e téenica, aos 17 anos de idade, impressiona. Já o zagueiro Tuta foi negociado com o Eintracht Frankfurt, da Alemanha.

Lucas Santos, camisa 10 do Vasco

Tal como Antony, foi outro canhoto que infernizou zagueiros e laterais jogando pelas duas pontas, levado o clube ao vice-campeonato. A bola parece grudar em seus pés. Mas não é só. Na final contra o São Paulo, quando recuado para a armação no segundo tempo, mostrou que talvez a ponta seja até um limitador para seu jogo.

Se há um obstáculo para o desenvolvimento de sua carreira, hoje seria seu 1,64m de altura. A dificuldade maior aqui seria mais enfrentar a desconfiança de treinadores do que de seus adversários mais altos. De todo modo, o CSKA Moscou não se importou com a estatura: nem bem terminou a Copinha, e os russos já fizeram proposta ao Vasco por seu capitão. Aliás, Lucas também mostrou poder de síntese e entendimento do jogo em entrevistas durante o torneio que lhe fizeram parecer um veterano.

O elenco vascaíno também pediu menções honrosas ao zagueiro Miranda e ao polivalente Caio Lopes, de 18 anos.

Alguém falou em centroavante?
Dinamite, Serginho, Careca, Romário, Ronaldo, Adriano... Isso só para falar de alguns nomes dos últimos 30 anos: a Seleção e o futebol brasileiro como um todo ficaram tão mal-acostumados à oferta de centroavantes que, mesmo num momento em que pode escalar gente como Gabriel Jesus e Roberto Firmino, um dos temas dominantes e constantes do mercado é a carência do “camisa 9”.

A 50a edição da Copinha não solucionaria jamais essa carência, ou percepção. Mas apresentou alguns artilheiros de potencial, cujo desenvolvimento merece ser monitorado.

Zé Eduardo (camisa 9 do Visão Celeste-RN)

Autor de sete gols em seis jogos por uma das surpresas do torneio – o time potiguar foi às oitavas de final –, o atacante se destacou por passadas largas, velocidade e força física que lhe dão vantagem em transição, além da habilidade para finalizar com os dois pés. Zé Eduardo é também daqueles que não perde tempo em partir para o gol. Econômico, ou objetivo, como preferirem.

Antes mesmo do final do torneio, o Cruzeiro acertou sua contratação. Ele vai jogar pelo time sub-20. Segundo o site “Superesportes”, numa política agressiva, o clube mineiro espalhou seus cinco olheiros por diferentes sedes e buscou contato praticamente imediato com empresários.

Jô (camisa 9 do Avaí)

Em termos de força física, de todo modo, será difícil encontrar jogadores dessa categoria que superem o centroavante da equipe catarinense. Com 1,90m de altura, mas o porte de alguém que parece uma parede. De costas para o gol, aliás, ele é bastante efetivo, protegendo a bola de zagueiros. O Avaí não hesitou em usar essa característica durante o torneio, especialmente quando à frente no marcador, recuando seus meio-campistas e partindo para a ligação direta. Nesse nível, a contenção do centroavante pedia quase sempre dois defensores, um deles na sobra. Mesmo no profissional não serão muitos os zagueiros preparados para suas trombadas. Fez quatro gols em quatro jogos.

Da Silva (camisa 9 do Grêmio)

De estilo de jogo e biótipo semelhantes ao de Jô, Da Silva vem sendo consistente em torneios de base desde o ano passado. Centroavante que busca o contato físico, é bem mais efetivo jogando dentro da área, onde representa ameaça no jogo aéreo. Sua trajetória começou no Fluminense, antes de se mudar para Porto Alegre. Já teve problema para controlar o peso no passado.

Ramires (camisa 9 do Audax)

Fisicamente, lembra muito o emergente Richarlison, sensação pelo Everton na Inglaterra, mas sem a mesma versatilidade. É um atacante que, ainda assim, se movimenta bem pelo ataque, com velocidade, exigindo atenção máxima do setor defensivo. O Fluminense que o diga: superou a zaga dos cariocas em duas partidas durante a Copinha, com duas vitórias. Terminou com cinco gols em seis partidas. Um detalhe, porém: tem apenas 17 anos, sendo dois anos mais jovem que os demais citados nesse grupo. Tremendo potencial.

Ramires, of Audax, was shining at the Copinha 2019

Davó (camisa 9 do Guarani)

É o centroavante mais baixo desse grupo e, por isso, precisa ainda mais de sua velocidade, ainda que saiba se posicionar bem dentro da área. Mas seu carro-chefe, mesmo, é a arrancada em contra-ataque, como na jornada em que marcou quatro se seus seis gols no torneio contra o Internacional, em uma vitória demolidora por 5 a 0.

Hulk (camisa 6 do Atlético Mineiro)

O nome é Carlos Gabriel Moreira de Oliveira, mas ele prefere ser chamado pelo apelido, mesmo. Apelido que se justificava, nas categorias menores da Cidade do Galo, por suposta semelhança com o atacante ex-Porto e Seleção. Ok. Com nome famoso ou não, é questão de tempo para que o lateral esquerdo ganhe notoriedade pelo seu potencial.

Já faz parte do elenco profissional e esse contato com um nível mais elevado de competição se faz nítido, devido ao posicionamento em campo na hora de marcar, a espera pelo momento certo para o apoio, um jogo de poucos riscos, mas também de poucos erros. Bate bem na bola e parece o lateral do futuro do Atlético, enquanto aprende mais um pouco com o veterano Fábio Santos.

Guilherme Radeche (camisa 2 do Taboão da Serra)

Na outra lateral, Radeche é um jogador para ser observado de perto por qualquer clube grande do país. Alto para a posição, contribui dos dois lados do campo, mas são suas subidas ao ataque, carregando a bola, que chamam mais a atenção. Outro atleta de larga passada e forte arranque, Radeche encontrou pouca oposição que pudesse frear seus avanços pela direita em um jogo dramático pela primeira fase dos mata-matas contra o Audax, sendo o atleta mais perigoso de sua equipe, mesmo jogando bem distante do gol.

Pedro Fhyllyppe (camisa 15 do Água Santa)

Meio-campista, de 18 anos, que é baixo e magro, mas bastante dinâmico. Há momentos em que, saindo do centro, parece ocupar toda a faixa direita do campo. Não só por seu deslocamento se torna relevante em campo, mas também por sua capacidade de distribuição. É um facilitador que raramente vai aparecer no clipe de melhores momentos de uma partida, mas que tende a cair nas graças de treinadores.

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