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Cinco detalhes que fazem parte do universo da Copinha

Não é só da revelação de jogadores que o maior torneio de base do Brasil vive. Com portões abertos em diversas sedes, o evento aproxima torcedores de regiões distantes de seus clubes preferidos, tem entrevistas sinceras e cuidado redobrado com a bola

Fans in the Diadema stadium at the Copinha 2019

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo e Diadema

Já contamos aqui no mycujoo como a Copinha entra para a história do futebol brasileiro como um propulsor de carreiras, de craques que serão consagrados pela Seleção a jogadores que buscam talvez a última chance de convencer grande clubes.

Mas o torneio também é sustentado por outros tipos de história, de pequenos detalhes, dentro e fora de campo, que lhe dão mais graça.

Check the next Copa São Paulo Júnior games on mycujoo

Separamos aqui cinco desses causos:

(Re)aproximação de torcedores

O estado de São Paulo é povoado por imigrantes de outras regiões do país, com destaque para a região metropolitana da capital. Com jogos em período de férias escolares, em 30 municípios diferentes, com entrada franca, temos aí uma grande oportunidade para torcedores matarem a saudade de seus clubes do coração.

Ou, melhor ainda, em alguns casos, pode ser que eles estejam assistindo seus times ao vivo pela primeira vez em sua cidade. Foi o caso de Wesley Alves Pereira, 27, que foi a Diadema assistir ao Atlético Mineiro vencer o Aquidauanense por 2 a 0, acompanhado do filho Victor, de três anos.

Wesley Alves Pereira, 27, came to watch Copinha at the Diadema stadium, with his son Victor

Wesleu nasceu em Periquito, cidade vizinha de Governador Valadares. Vive há 12 anos em Diadema e tem de assinar pacotes de pay-per-view para acompanhar o Galo. O engraçado é que ele tem família hoje vivendo em Belo Horizonte, mas a maioria dos parentes são... cruzeirenses! Fica difícil de ver o Atlético em ação quando os visita.

Fala, que eu te escuto

Sabemos que no sub-20 muitos garotos já recebem o essencial e famigerado media training. Mas ainda há muito mais espaço para sinceridade nas entrevistas da Copinha do que estamos acostumados quando falam os profissionais.

O caso do atacante Romarinho, do River do Piauí, foi o mais significativo nesse sentido. Em goleada sofrida contra o Flamengo, por 4 a 0, em Jaguariúna, o jogador afirmou ao canal SporTV que seus companheiros estavam cansados. Depois, disse que "o professor (o técnico Maradona) mexeu errado" na equipe.

Romarinho, from River do Piauí, giving an interview after a Copinha game

Obviamente, em transmissão nacional, em tempos de redes sociais, Romarinho virou história, mas não do modo como preferia. A declaração repercutiu muito e foi considerada uma "infantilidade" pelo treinador. Nem mesmo depois de gravar um pedido de desculpas, escapou de uma espécie de punição: amargou a reserva na segunda partida, em vitória por 2 a 1 sobre o time da casa. Com três pontos, a equipe piauiense foi eliminada.

Técnicos locutores

Jogadores jovens precisam de mais orientação. Isso é o básico. Mas, na Copinha, dependendo do jogo, se você estiver posicionado próximo aos bancos de reservas, pode ser o caso de até mesmo abrir mão de seu radinho: há treinadores que praticamente narram todas as ações da partida.

Foi o caso de Mauro Marino, comandante da Aquidauanense, em confronto com o Atlético Mineiro pela primeira rodada. Marino dava bronca, instruía, comunicava possíveis jogadas do adversário... o tempo todo. E cobrava de seus atletas que também falassem mais: para o goleiro PH, aliás, disse que, se ele não “abrisse a boca”, na sua posição, "só ficaria na base".

Mais arbitragem feminina

Na primeira rodada do Grupo 29, em Diadema, o mycujoo pôde observar fato raro: os dois jogos do dia foram apitados por mulheres. Adeli Mara Monteiro, 34, ficou encarregada de Água Santa x Jacobina.

 Adeli Mara Monteiro, 34, was the referee in charge of the Copinha 2019 game between Água Santa and Jacobina

Já Fernanda dos Santos Ingacio de Souza, 37, fiscalizou Atlético Mineiro x Aquidauanense. No geral, oito partidas da primeira jornada também tiveram uma mulher entre os árbitros assistentes.

Cuidem da bola

Para fechar, o elevado número de sedes da Copinha naturalmente abre espaço para os mais diferentes tipos de palco, e nem todo mundo tem arena de Copa do Mundo para oferecer, claro. Então é normal vermos partidas em estádios, acanhados, ou não, nos quais a expressão "bola para o mato, que o jogo é de campeonato" pode ser levada em um sentido literal.

Quer dizer: se não exatamente para o mato, a bola pode cair na casa do vizinho, no meio da rua etc. Você entendeu a mensagem, né? No jogo entre Atlético Mineiro e Jacobina, pela segunda rodada em Diadema, foram contadas nada menos que seis bolas atiradas para fora do estádio. É aí que a arbitragem entra num período dramático e que os gandulas ficam de certa forma desocupados.