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Toda a graça do Íbis

O pior time do mundo (ou ex-pior?) não capitulou após ser ‘ignorado’ por Mourinho e tenta retornar à elite do futebol pernambucano. E isso não é uma piada.

Íbis Sport Club celebrating in the locker rooms

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

Quando José Mourinho foi demitido pelo Chelsea em dezembro de 2015, o mundo inteiro sabia que um treinador com seu currículo não ficaria desempregado por muito tempo. Deve ser por isso que o Íbis SC, clube da zona metropolitana do Recife, se apressou em apresentar ao multicampeão português um contrato.

A brincadeira gerou enorme repercussão, ganhando páginas e páginas na Europa, inclusive. Àquela altura, então, algo estava claro: o Íbis podia ainda sustentar (e divulgar!) a alcunha de “pior time do mundo”, mas em termos de ação nas redes sociais eles já estavam na elite.

No Twitter, seu carro-chefe, o clube pernambucano tem hoje 159 mil seguidores. Para constar, batem nesse quesito duas equipes que disputaram a Série A do Brasileirão 2018: os rebaixados América-MG e Paraná têm, respectivamente, 115 mil e 104 mil.

“Eu e mais dois amigos lançamos (o projeto) para ajudar o marketing do clube. Sentíamos falta de notícias nas redes sociais. Aproveitando que estávamos nos jogos, decidimos fazer a cobertura em tempo real”, afirma ao mycujoo o publicitário e jornalista Nilsinho Filho, que administra as contas sozinho desde 2014. “Começamos a brincar com os outros clubes e jogadores, comparando o desempenho deles. O @Ibismania começou a ganhar seguidores e se tornou oficial.”

Nilsinho não monitora, então, necessariamente só os acontecimentos do Íbis, que disputou a Segunda Divisão do Pernambucano neste ano. O clube se tornou global. “As publicações surgem de acordo os assuntos do momento. Quando não tem conteúdo ou notícia do clube, crio alguma piada. Para tudo correr direitinho, acompanho diariamente todo tipo de notícias esportivas.”

O profissional cita o ex-lateral Roberto Carlos e o ex-piloto de Fórmula 1 Rubens Barrichello como duas personalidades que não levaram muito na esportiva a lembrança via @Ibismania. “Mas a maioria dos jogadores gostam. Nenhuma instituição achou ruim. Nunca teve problemas sérios. Hoje em dia todos gostam.

Penalidades

Uma sucessão de maus resultados na virada da década de 1970 para a de 1980 levou o Íbis ao “Guiness Book”. Foram quase quatro anos sem vitória. Vem daí a, podemos dizer assim, fama do clube. Mas esses são tempos distantes.

Hoje, por mais que lide com sua reputação com graça, o plano é de retornar à Primeira Divisão estadual, da qual está distante desde 2000. Em 2018, a campanha acabou nas quartas de final. Depois de dois empates e placar agregado de 1 a 0 com o Serrano, clube da região da Serra Talhada (cerca de 300km afastada da capital), o Ibis foi eliminado em disputa dos pênaltis. Em seu estádio, perdeu por 5 a 4. O adversário caiu nas semifinais. O campeão acabou sendo o Petrolina.

Aliás, sua escalação contou com Jean “Conca” e “Valdivia” no meio-campo e um “Lugano” na zaga, orientados pelo treinador Ricardo “Guardiola”. No banco, um atacante “Balotelli”. Todos apelidos de brasileiros derivados de “xarás” milionários. Nada mais apropriado.

Íbis Sport Club celebrating in the locker rooms

(De todo modo, cabe aqui breve volta no tempo para lembrar que, em termos de celebridades boleiras, o Íbis já teve dois jogadores que se tornariam bastante relevantes na era dourada do futebol brasileiro: o centroavante Vavá, vencedor das Copas de 1958 e 1962, e o lateral esquerdo Rildo, companheiro de Pelé no Santos dos anos 1960.)

Para a parte da torcida que comprou a ideia de que quanto pior, melhor, os últimos dois anos, na verdade, não foram dos mais agradáveis, a ponto de terem protestos bem-humorados no ano passado contra uma sequência de vitória.

Em 17 partidas pela Segunda Divisão pernambucana nessas duas últimas temporadas, o time somou oito vitórias, sete empates e só três derrotas. Um rendimento, convenhamos, respeitável. E aí como fica?

Fica que, brincadeiras à parte, os profissionais envolvidos com o projeto, dentro e fora de campo, sonham com voos mais altos para o Íbis. “O time atualmente está muito forte e minha torcida é que suba de divisão”, diz Nilsinho Filho.