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Do centenário para o futuro

Aos 100 anos, após conquistar a Série B e voltar à elite após 12 temporadas, o Fortaleza celebrou também a conquista da Copa do Nordeste Sub-20 com uma geração precoce que, agora em janeiro, disputará a Copinha. Rogério Ceni está de olho.

The club of Fortaleza celebrating their U-20 Nordeste title

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

O Fortaleza celebrou em 2018 seu centenário com a conquista da Série B do Brasileirão e a promoção para a Primeira Divisão, da qual estava distante desde 2006. Nesse longo período de exílio, passou oito anos na Série C.

Então dava para ter temporada melhor?
Na verdade, deu, sim.

Duas semanas depois, o Fortaleza tratou de levantar outra taça, dessa vez a da Copa do Nordeste Sub-20, e de forma invicta. Quer dizer: sua torcida pôde comemorar muito em tempo presente, mas também sonhando com algo mais que possa ser desenvolvido para o futuro.

Na lista dos que celebraram o título na competição regional, podemos incluir o técnico Rogério Ceni, uma das sensações da temporada 2018 do futebol brasileiro. Em seu segundo ano como treinador, o célebre ex-goleiro liderou um orçamento mediano para os padrões da Série B. Valorizou-se, mas ficou no clube cearense.

Que bom para os garotos recém-campeões. Aumenta assim a chance de serem aproveitados na virada do ano, dada o interesse de Ceni em acompanhar e trabalhar com revelações.
"Ele é um profissional que enxerga com bons olhos a base. Várias vezes, ao final de suas atividades, se sentou ao meu lado para acompanhar nossos treinos. Está sempre observando, fazendo perguntas, atento", disse ao mycujoo o diretor de base do Fortaleza, Roberto Moreira.

Além disso, o técnico procura, sempre que possível, ter um membro de seu estafe para assistir aos times de base. Também é abastecido constantemente por relatórios de desempenho.

Da observação à prática: no decorrer da temporada foi comum que Ceni chamasse alguns dos pratas-da-casa para compor elenco nos treinamentos do time de cima. Já o atacante Vitor Jacaé, de apenas 19 anos, chegou a ter uma chance de atuar ao lado dos mais velhos em uma partida pelo Campeonato Cearense, com goleada por 4 a 0 em cima do Guarani de Juazeiro.

“O grupo todo se sente incentivado em saber que quem comanda o profissional olha para a base”, afirma Moreira. "Acredito que um dos motivos para nossa equipe (sub-20) ter dado uma crescida foi o comprometimento deles, ao saber disso."

Na Série B, poucos garotos foram relacionados. Mas é preciso entender a natureza dessa competição, bastante intensa e exigente emocionalmente. O usual é apelar a veteranos nessa empreitada. De qualquer forma, lembremos que, em 2017, pelo São Paulo, o técnico não hesitou em usar os jogadores da base. Quase metade de seu elenco era composta por pratas-da-casa.

Captação

Moreira assumiu a base do Fortaleza em dezembro de 2017. Sua primeira tarefa foi reestruturar justamente esse time sub-20, após insucessos do clube na Copa São Paulo Júnior. Já são cinco anos seguidos de eliminação ainda na fase de grupos.

O atacante Everton saiu da base do Fortaleza para brilhar pelo Grêmio

Depois de reformular a comissão técnica, hoje comandada pelo técnico Marconne Montenegro, o departamento saiu em busca, então, de novos talentos. Em um primeiro momento foram adicionados jogadores locais, do Ceará. "Mas depois vimos a necessidade de captar mais. Fomos buscar na Bahia, no eixo Rio-São Paulo e alguns no interior de Minas Gerais também", diz Moreira.

Um detalhe interessante na composição do elenco é que ele foi planejado para a disputa da Copinha que começará agora em janeiro. O que quer dizer que o Fortaleza conseguiu um título precoce ao ganhar a Copa do Nordeste Sub-20, já que seus jogadores são em maioria de 1999. Mas há também atletas de 2000 e até mesmo 2001. De 1998 não havia nenhum.

Eles chegam agora à Copa São Paulo com muito mais bagagem. A equipe está no Grupo 19, com sede em Indaiatuba, acompanhado do Primavera, clube mandante, e de Sertãozinho (SP) e Queimadense (PB). Avançar aos mata-matas é objetivo.

Mas Moreira afirma que o maior prêmio, mesmo, para sua diretoria seria a revelação de jogadores durante sua gestão, ainda que conquistas ajudem a valorizá-los mesmo assim. "Já comentamos que gostaríamos de lançar até dois Evertons por ano. Mas é preciso sempre cautela. Por isso temos uma equipe multidisciplinar acompanhando todos", diz.

O dirigente faz referência ao atacante do Grêmio, campeão da Libertadores e já convocado por Tite. Ele saiu do sub-17 do Fortaleza para o clube gaúcho. Desnecessário dizer que Ceni adoraria contar com um talento do nível de Everton em sua equipe.