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Um sonho colombiano (PT)

Mais de 4.300km distantes de seu país, 11 colombianos começam bem uma jornada inusitada pelo futebol brasileiro, defendendo a Esportiva Itapirense pela Segunda Divisão do Paulista. Falamos com o zagueiro Erik Mina, o “mensageiro” dessa legião, sobre o sonho de prosperar no mesmo país em que lendas como Rincón e Asprilla brilharam.

Esportiva Itapirense, Segunda Divisão do Paulista

Giancarlo Giampietro
Em São Paulo

Quando garoto, o zagueiro colombiano Erik Mina se via torcendo pelo Brasil em Copas do Mundo. Era a opção que tinha, pois a seleção de seu país viva período de baixa. Sim, pela idade, Erik, 22, não teve tempo de assistir a craques como Freddy Rincón e Faustino Asprilla, para citar apenas dois nomes de uma geração que fez história nos anos 90.

Você pode acompanhar Comercial x Itapirense ao vivo, sábado às 15:00 (horário de Brasília) no mycujoo

Mas o zagueiro ao menos ouviu as histórias. Respeita demais esses personagens. Então imagine como ele não estava numa noite qualquer de 2016 quando chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, após deslocamento de mais de 4.300km, com a ambição de jogar no mesmo futebol brasileiro pelo qual Rincón e Asprilla brilharam.

“Era uma alegria muito grande, sem tamanho. Só pensava em quão grato poderia estar. O Brasil era o rei do futebol para mim, algo que a gente na Colômbia leva no coração”, diz ao mycujoo o zagueiro que defende a Esportiva Itapirense pela Segunda Divisão do Paulista. “Pensei: eu tenho de aproveitar isso”.

Hoje, Erik faz parte de um grupo de 11 colombianos a serviço do clube de Itapira, cidade de 73 mil habitantes a 173 km da capital paulista, na divisa com Minas Gerais. Eles moram juntos em um alojamento e viraram atração na cidade.

De qualquer forma, não sobra muito tempo para zanzar por aí. Comissão técnica e diretoria fazem eco ao elogiar o empenho e profissionalismo dessa legião colombiana. “Às vezes parecem absorver ainda mais (o que passa) do que o jogador brasileiro, que em geral acha que qualquer empresário vai levá-lo a um Real Madrid. Têm muita concentração”, afirma o técnico China. “São muito trabalhadores e respeitam demais os brasileiros”, diz o diretor Careca Paiva.

A Segunda Divisão do Paulista é um campeonato sub-23. Abriga, então, jovens jogadores que talvez não tenham recebido oportunidade nos maiores clubes do estado. No caso dos colombianos, é uma aventura à parte. E como eles chegaram aqui? Um dos investidores da Esportiva é o conterrâneo Juan Isaza, agente amigo de Paiva e ex-jogador do Once Caldas.

Ligação

Erik Mina está entre os destaques do time, segundo o técnico China. Com 1,91m de altura, “é muito forte no jogo aéreo, mas também tem boa técnica, passa bem e pode até ser um primeiro volante”.

Mas talvez a função mais importante que exerce no clube seja a de “mensageiro”, por estar há mais tempo no Brasil. Ele ajuda os compatriotas na tradução do português, embora, no linguajar boleiro, o castelhano não esteja tão distante assim, segundo China.

No trato com os companheiros brasileiros fora de campo, ou mesmo em conversas pela cidade, não há muita complicação também: o assunto invariavelmente é futebol. “Eles falam disso o tempo todo. A gente respira futebol, no fim”, conta Erik, rindo.

Os resultados indicam a facilidade do entrosamento. A despeito de um excesso de contusões e lesões, a equipe fez boa campanha pelo Grupo 3 e avançou à segunda fase, com 26 pontos em 14 jogos, perdendo apenas duas vezes. Dá para dizer, então, que os colombianos têm aproveitado essa porta aberta.

Pensar no sucesso de Rincón e Asprilla talvez seja uma meta ambiciosa demais, mas a jornada inusitada de Erik Mina e demais colombianos começou bem. Segundo o diretor Careca Paiva, há clubes de divisões maiores fazendo sondagens. Eles podem subir. “Viemos para ficar”, diz o zagueiro.

Você pode acompanhar Comercial x Itapirense ao vivo, sábado às 15:00 (horário de Brasília) no mycujoo